quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Carta de amor




Quero que de dentro de mim brote uma árvore e que dela frutos doces, amargos, serenos, pungentes; de cores surpreendentes e de texturas também estrangeiras: falem meus saberes e confusões longe do verbo e que dêem ao teu palato o que eu – enquanto carne que fala – não consigo te exprimir sem ofender um dos teus sentidos.

Que essas raízes de mim – à superfície - te mostrem os caminhos tortuosos na busca do meu – solo fértil de paz.

Que tu possas, numa primavera bem próxima, ver os brotos verdes, embriões de coisa nova e que, logo que o verão se assentar, vingarão e voarão - pendurados na gravidade – acoplados no aparato vivo que sustenta: organismo frágil e forte.

E, se eu me fizer flor, que de mim vejas – seja em contorno formoso, útil ou desajeitado – coisas que te expliquem aos sentidos (sem mapas ou necessidade das estrelas) o que me faz de bom, tu.

E de tudo isso; de ser árvore, fruto, raiz, broto e flor, desejo que você colha o conforto do abraço de amor, que fala docemente, nesses dias, e desde sempre, do que fez esse laço, assim, de aço.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Sempre gostei desse verso do poeta:
“vem, minha doce assassina”.
Nunca achei-o funesto.
Das mortes que a assassina intermedia: o tédio."

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sou uma cardiopata
desde que nasci:
vivo de romance.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Absoluto




Você é minha essência:
notas do oriente,
subtilezas,
óleo indispensável.
Profundo de mim.

Da dúvida

Cega para a escrita,
sem ler nas entrelinhas,
o bem querer que não está ali.

Embotados os olhos
não duvidam
da dúvida,
que valsa lá.







(des)habitado

Nos umbrais de mim
vive gente que eu não
quero.
Que eu não
gosto,
que eu não
sou.
O que fazem ali?
Como desalojar
esses invasores
que possuem
chaves,
que detém
códigos de acesso,
que conhecem
passagens secretas,
e que contam
com a minha
colaboração?

Avesso


Falso
bem
estar
de
confusão.