quarta-feira, 10 de março de 2010

Da paixão

A cor é perfeita.
Esse vermelho garboso
que navega em tuas veias,
borrifa um sanhar luxurioso nos teus olhos .
As pálpebras: dormentes de desejo.
A boca ansiosa no meio sorriso,
contido no carnudo carmim.
Sim, eu sei.
Essa cor é tua
e ela toma conta de mim.

Verdade










Essa coisa assim:
cheia de sim,
só você tira
de mim.

"Raindrops keep fallin´ on my head..."


Tu molhas as mãos na água
e faz chover,
das pontas dos dedos
sobre minha cabeça.
“_Me batizas?”
“_Não...”
Mas é assim que me sinto.

Silêncio

Se às vezes me calo
no calor do ato,
é porque a voz não responde
no colapso.


domingo, 13 de dezembro de 2009

Essa e aquela

Essa que sou ali, quando em ti,
é tudo que há em mim.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Carta de amor




Quero que de dentro de mim brote uma árvore e que dela frutos doces, amargos, serenos, pungentes; de cores surpreendentes e de texturas também estrangeiras: falem meus saberes e confusões longe do verbo e que dêem ao teu palato o que eu – enquanto carne que fala – não consigo te exprimir sem ofender um dos teus sentidos.

Que essas raízes de mim – à superfície - te mostrem os caminhos tortuosos na busca do meu – solo fértil de paz.

Que tu possas, numa primavera bem próxima, ver os brotos verdes, embriões de coisa nova e que, logo que o verão se assentar, vingarão e voarão - pendurados na gravidade – acoplados no aparato vivo que sustenta: organismo frágil e forte.

E, se eu me fizer flor, que de mim vejas – seja em contorno formoso, útil ou desajeitado – coisas que te expliquem aos sentidos (sem mapas ou necessidade das estrelas) o que me faz de bom, tu.

E de tudo isso; de ser árvore, fruto, raiz, broto e flor, desejo que você colha o conforto do abraço de amor, que fala docemente, nesses dias, e desde sempre, do que fez esse laço, assim, de aço.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Sempre gostei desse verso do poeta:
“vem, minha doce assassina”.
Nunca achei-o funesto.
Das mortes que a assassina intermedia: o tédio."