segunda-feira, 22 de março de 2010

Da ilusão de pertencimento e de domínio geográfico


Não há GPS que me localize.
Eu nunca soube circunscrever meu espaço –
sou péssima em reconhecer fronteiras.
Eu desconheço a leitura de astrolábio, sextantes
ou mapas de papel multicoloridos.
Eu não sei onde está meu norte.
A rosa cruz me confunde.
O pensamento é errante.
Meu passo,
laço,
desconexo
do acaso (?)

E mesmo assim,
nunca fui tão toda de mim.

Momento

No telefone celular
pipocam os recados
dos amigos invisíveis.




Da cardiopatia





Por favor,anestesia,
dolantina,
morfina,
fentanil,
qualquer opiáceo
que remende
esse buraco,
instantaneamente.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Da paixão

A cor é perfeita.
Esse vermelho garboso
que navega em tuas veias,
borrifa um sanhar luxurioso nos teus olhos .
As pálpebras: dormentes de desejo.
A boca ansiosa no meio sorriso,
contido no carnudo carmim.
Sim, eu sei.
Essa cor é tua
e ela toma conta de mim.

Verdade










Essa coisa assim:
cheia de sim,
só você tira
de mim.

"Raindrops keep fallin´ on my head..."


Tu molhas as mãos na água
e faz chover,
das pontas dos dedos
sobre minha cabeça.
“_Me batizas?”
“_Não...”
Mas é assim que me sinto.

Silêncio

Se às vezes me calo
no calor do ato,
é porque a voz não responde
no colapso.